Omito.

Eu sinceramente não gosto das suas palavras, seus pensamentos comuns, sua história de luta e de suas conquistas.
Tanto faz. Não gosto. Aliás, a idéia de gostar de ti em qualquer situação que seja é risória.
Eu não sinto calafrio algum quando te vejo e nem sequer fico ansioso para te encontrar.
Você é repugnante na verdade. Cheio de falcatruas, achando ser o que há de melhor para mim.
Não reajo como todas as outras pessoas apaixonadas, afinal, não estou.
Não fico bobo, não tem sorriso algum, não há brilho no ar, nem taquicardia.
Ao invés disso, eu minto.

Batem na porta como se houvesse um noticia trágica para contar.
Batidas fortes, nervosas, rápidas, ininterruptas.
Abre-se a porta. Flores deles chegam, o menino que as entrega saí correndo pela chuva, sobe na bicicleta e desaparece na nuvem d’água.

Ela olha o buque, sente arrepio, coração bate mais forte. “Será uma despedida? Será que ele está realmente afim de mim? Será que as flores são deles? E se o menino errou a casa? Se essas flores são de outra mulher? É. Só pode ser…”

Olha o cartão. Tem o nome dela. “Só pode ser uma despedida. Merda! Sabia que aconteceria, sempre acontece! Não vou abrir o cartão. Pegarei traumas das lindas flores pelo resto da vida por causa desse dia fatídico. Mas, se ele quiser conversar? Não! Conversas são sempre para dar noticias ruins. Afinal, se fossem boas, ele apenas as falariam. Pode ser uma surpresa também! E porque diabos alguém anuncia uma surpresa?! E se o que estiver escrito for a surpresa? Não vou abrir.”

 

Ela abre o cartão. “São só flores, só flores. – Fernando”

Ela ri. A cara entristece. Sorri novamente. Apaga-se as luzes e dorme.

TOC

Ele a ama, mas não a enxerga por completo.
Suas mãos soam e sua cara fica pálida.

Ela insinua-se, se mostra as poucos, quando e como quer.
É cheia de informações e conteúdos.

Ele navega, explora, chega a penetra - lá
Ela continua a se insinuar pela metade, não se mostra por completo, faz mistério.

Ele aperta F5. A página atualiza. Ele fica feliz.

Sonho Lúcido.

Cabeça pesa, dedos tremem, ele sorri e morre.
Não. Acordou. Era sono.

Cabeça pesa, dedos tremem, ele sorri novamente e.
Dormiu.

Cabeça pesa, dedos tremem, ele não sorri.
Aperta o gatilho e, agora sim, morre.

O show de Douglas

Oi! Por favor, onde fica a padaria do Sr. Manuel?

Uma simples pergunta pode ser o começo de uma grande história. Sejam elas de amor, ódio, amizade… Assim como também não podem ser nada.
Talvez seja um mero contato com um desconhecido, uma informação dada sem nenhum alarde maior, apenas uma palavra dita. O fim, meio e começo de um ciclo, tão curto, baseado em dois minutos, jamais vivenciado novamente e esquecido com o tempo.

Somos pequenos filmes que constroem um longa metragem inédito, temos responsabilidade de atuá-los de forma digna, temos mais responsabilidades ainda quando somos convidados a participar de outros filmes onde não sabemos a hora certa de entrar em cena e tão pouco quais são nossas falas.

Nesse filme todo, alguns núcleos se concretizam, passam a trabalhar juntos por um bom tempo, até que os créditos comecem subir, a terra descer, o público sair e você ficar sozinho.

Alguns buscam serem protagonistas de tudo, até mesmo dos filmes que são convidados para apenas participar, e assim, com toda essa pinta hollywoodiana, tornam-se coadjuvantes dos seus próprios filmes.

E é no meio de toda essa visão pífia de um mundo (ou seria filme?) que nós vivemos, onde eu consigo entender mistérios que, até então, era um bicho de sete cabeças rindo de mim. Consigo entender os amigos, a família, o convívio, consigo entender todos com suas respectivas atitudes. É fácil, são todos atores.

Aquela velha opinião formada sobre tudo.

O maior problema de quem escreve não é desenvolver textos, nem encontrar assuntos relativamente bons e, muito menos, encontrar alguém que o leia.
Difícil mesmo é agüentar uma trupe do contra que, mesmo sem conhecimento, lhe julga e impõem suas criticas baseadas em nenhum fundamento. E, infelizmente, é assim com tudo. Se enxergam algo que não gostam têm todo o direito de reclamar e isso é obvio. Contraditório e escancarar a indignação com coisas que em muitas das vezes não são diretamente escritas á eles, e não possuírem argumentos o suficientes para discordar e dar razão a tamanha revolta, e ainda sim quando as fazem o máximo que conseguem são meia dúzias de xingamentos e, provavelmente, alguma auto-afirmação de isenção de conhecimento do que o afeta.

Quando se esforçam para serem um pouco mais inteligentes buscam em algum fragmento da vida do autor do texto algo que o possa contradizer ou descaracterizá-lo de ser digno de uma personalidade para expressar tal opinião.

Partindo desse ponto, só podem reclamar de música quem a estudou? E de filme também? Só se faz critica de uma peça de teatro se você for um ator/diretor? Então, partindo dessa mesma linha de racíocino, vocês não podem julgar, opinar ou se manifestarem sobre os textos, caso vocês não sejam comprovadamente capacitados para isso, certo? Pois, bem. Sendo assim, a partir de hoje, calem-se, por favor.

Mediocrei, mas não foi eu.

Já é de praxe que políticos ficam mais calorosos, gentis e esperançosos em ano eleitoral. Ainda mais quando se é iniciante, seja na carreira política ou no cargo em que pretende ocupar.
Não só acho político medíocre aquele que faz promessas e não as cumpre, mas sim também os cidadãos que os elegem com uma inocência ou ingenuidade forçada e depois ficam avacalhando o mesmo com argumentos que, como sempre, caiem no clichê.
Eleitor medíocre adora falar mal de político, adora dizer que nunca está bom, sempre diz que fulano prometeu e não cumpriu.
Agora, pergunta para o infeliz se ele se lembra do que foi prometido, de quem votou, de qual eram as propostas, quais foram as causas que os levaram a eleger o dito cujo? Não sabem e nunca vão saber, pois é moda ser descolado e tocar o foda-se pro Governo, seja ele o atual ou não.
As pessoas, como sempre, cobram uma postura dos políticos em que elas mesmas não têm. Falam que o político não cumpre com as promessas, como se ela cumprisse, né? Vejo gente que não consegue cumprir nem uma dieta, para quanto mais vir querer falar sobre legislação, propostas… Falam de corrupção, mas, se recebem um troco errado (maior), devolver é a última coisa a se passar pela cabeça. Sem falar nas filas que cortam, nos impostos que não pagam, nos produtos que consomem no supermercado e não pagam…
Gente que reclama de transporte público, mas vive numa redoma de comodismo e não saí de casa para ir comprar um pão se não for de carro. São tão alienados que fazem protesto votando em quem, explicitamente, ri da cara deles.
Mediocridade não é votar no Partido A ou B, é a capacidade de formar argumentos idiotas para se defender (antes mesmo que os “ataquem”) de possíveis questionamentos.

Coincidentemente são esses indivíduos os mesmos que acabam levando a vida toda de maneira desregrada. Vivem na miséria interior e a ignoram, de tanto se auto-afirmarem acabam acreditando na própria ilusão de que possuem uma personalidade formada. São contraditórios, infantis, não possuem argumento nenhum plausível para qualquer situação que os questionam. Se mostram inteligentes de assunto nenhum, se mostram de uma opinião formada por uma massa maquiavélica. São desprezíveis.

Ainda na parte política, acredito que hoje não há nenhum modo eficaz e instantâneo para resolver toda a bagunça que foi construída nos últimos anos. Não sou a favor de nenhum político o suficiente para dar o meu voto á ele, meu partido é o OO - Voto Nulo, abdico do meu direito de ser cidadão, mas faço isso na integra e não parcialmente. Não gozo e saio fora. E se gozo, não me escondo da responsabilidade de assumir.
Ser cidadão não é abrir a boca para reclamar, é saber fazer cobranças cabíveis com quem você julgou ser melhor para governar seu País, Estado, Bairro…

De ante-mão reforço que a leitura aqui é de livre arbítrio de todos. Caso se identifique, se sinta ofendido ou algo que posteriormente faça com que venha me encher a paciência de novo, espero que seu cu pegue fogo. 

Um beijo do seu lado super bacana.

Pan Peter

Tem coisa pior do que pirralho metido a adulto? Acho que tem sim, um bando de pirralhos metidos a adultos.

A pessoa acha que só porque começou a fazer sexo, completou a maioridade civil e tem um trabalho já está com sua personalidade, índole, maturidade e responsabilidade formada.

Será que eles acham que ser adulto é poder dizer que transou com alguém abertamente? Ou talvez o quanto ele trabalha na semana? Ah, deve ser porque ele possa falar sobre todas as coisas que ele possui materialmente com um quê de superioridade, né?  Ou será que ser adulto é ler um texto como esse e vestir uma tal de carapuça e começar a ironizar, criticar sem fundamento ou até mesmo tomar satisfação? Deve ser isso, né? Ser adulto na verdade é fazer todas as coisas que você aprendeu no primário, e não falo do ABC e nem da raiz quadrada do dois, mas sim das briguinhas por uma lugar na sala de aula ou pela rincha de não ser chamado para ir comer pastel na cantina da escola ou pelas provocações risórias… Deve ser exatamente isso, certo?

Então, resumidamente, ser adulto é ser uma criança com barba, cabelo e bigode, que se for menina tenha menstruação, que fume, que beba. Que seja tudo, menos adulta?

Poxa, que bom. Vou ali acender meu cigarro e poder falar no meu twitter tranquilamente que eu gozo cinco vezes seguidas. Porque, afinal, sou um adulto.

Dois

Ela olhava, não se conformava. De algum modo tinha que ajudá-lo. Era impotente, insegura, inofensiva, era só mais uma.
Ele olhava, se conformava. De algum modo tinha que se conformar. Era confiança, maturidade, expressivo, era sereno, era só ele.
Ela sentia.
Ele mentia.
Ela viveu.
Ele morreu

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In Versos

Onde eu guardo a fé em mim.

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